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Educar é preciso...

8 de junho de 2011
Inúmeras notícias e acontecimentos publicados pela mídia, além de experiências pessoais, fazem com que o tema EDUCAÇÃO seja a pauta desta minha postagem nessa semana.

Comecemos pelo discurso da professora Amanda Gurgel, que simplesmente deu um show numa audiência púbica em Natal. Certamente esta mulher lavou a alma de milhares de professores deste país. Infelizmente entre falar e transformar há uma distância gigantesca, principalmente no Brasil, onde a educação nunca foi levada a sério.

Verdade essa revelada em outra notícia propagada nestes últimos dias, sobre o livro de Heloísa Ramos, deprimente livro, em que erros de português grosseiros estão a disposição de alunos em formação. O MEC saiu em defesa da professora e tentou justificar este erro injustificável, alegando que o livro pretendia abordar a questão do preconceito que sofrem os alunos que falam errado.



Na minha opinião, você deixa de constranger um aluno que fala errado, quando o ensina a falar certo, quando norteia sua vida de opções e alternativas, quando mostra os dois lados da moeda e o ensina a questionar e não quando incentiva todos os demais a pertencerem a ala dos ignorantes acomodados.

Muitos jornalistas atacaram o PT firmemente, defenderam que esssa estratégia nefasta alimenta a exclusão social, continua a produzir estudantes alienados e sem conhecimento, que nunca conseguirão ingressar numa faculdade por mérito próprio e somente darão continuidade ao histórico de suas famílias, trabalhando em subempregos, satisfeitos com salários mínimos. Concordo! Feliz dos governantes corruptos que conseguem manter a massa alienada e contente, sobrevivendo de migalhas. O pão e circo de hoje é bolsa família, auxílio reclusão e escolas tão deficientes quanto o poder público.

Na esfera pessoal, meu choque aconteceu quando descobri o salário dos professores de escolas municipais da Praia Grande, cidade esta, cujo valor do IPTU é o mais caro do Brasil, mas onde os professores recebem menos de R$1.500,00.

(E deixo clara a minha opinião de que ninguém deveria receber menos de R$2.000,00 reais por mês, independente do trabalho, independente do estudo, independente do que faça. Qualquer ser-humano deveria ter o direito de ganhar 2000 reais, simplesmente por sair de casa todo  santo dia, pegar ônibus lotado, percorrer trajetos congestionados e ainda assim desempenhar um trabalho honesto por 8 horas ou mais por dia. Sejam as faxineiras, os coletores de lixo ou recicláveis, porteiros, atendentes no comércio, manobristas, garçons, motoboys, frentistas, lavadores de carro, ajudantes, todas essas pessoas, sem as quais seria impossível manter esse nosso sistema, das quais somos completamente dependente, sem lhes dar os devidos créditos e valor.)

Aplicando esta minha teoria aos professores que ainda por cima dedicaram quatro anos de sua vida a estudos e estágios, suportam salas lotadas de crianças tão desiquilibradas quanto seus pais, sem limites, sem a educação básica QUE DEVE VIR DE CASA, sem material didático eficiente, sem as menores condições materias para desempenhar um bom trabalho. Enfurná-los nessas salas e premia-los com um salário rídiculo desses é o cúmulo do absurdo. Mas no país que remunera bombeiros, heróis, com menos de 1000 reais por mês, poderíamos esperar o quê?

Não sei quantas de vocês já precisaram chamar os bombeiros. Eu já precisei. Eles chegaram em 5 minutos, bem humorados, prestativos, salvaram o cavalo caído machucado, numa vala, com agilidade e respeito e foram embora com o mesmo sorriso no rosto, como quando chegaram. E eles ganham menos de 1000 reais por mês.

Mas o foco da postagem é a educação e não os salários miseráveis de uma nação de pessoas que trabalha, de verdade, com entusiasmo e dedicação, apesar deste governo, apesar de tanto descaso, apesar da exclusão.

Educação que é responsabilidade de nosso governo, que deve garantir alimentação boa, professores qualificados, instalações decentes e principalmente que garanta o direito de ir além, de aprender de verdade, de conhecer o mundo, de transormar o mundo. Esta escola que não temos.

Mas para essa educação funcionar para toda e qualquer criança, é necessário que funcione também e principalmente a educação que vem de casa, essa que está fora de moda, essa que muitos pais também não têm e portanto fica impossível  oferecer.

Não foram poucas, as vezes, que ouvi de mães, que a obrigação de educadar é do professor...e fiquei a me perguntar: a obrigação das mães é apenas parir? Penso na burocracia enfrentada por pessoas que querem adotar crianças e comparo com a facilidade de qualquer criatura fazer um filho, sem condiçoes psicológicas, emocionais e materiais para isso. Não importa. Povoa-se o mundo e propaga-se uma nação de imbecis, egoístas e sem nenhum bom senso.

Muitas amiguinhas da minha filha vêm brincar em casa com ela. E eu fico completamente perplexa com a falta de educação de várias delas. Monstros criando monstros. Gente preocupada demais ou em acumular dinheiro e mais dinheiro, ou apenas em sobreviver, para dedicar tempo aos filhos. Para oferecer educação de qualidade. Não essa que é dever da escola, mas aquela que falta para a grande maioria dos cidadãos.

Estou começando a realizar um trabalho de educação ambiental em uma escola daqui. Fico ainda descrente da humanidade, quando percebo que preciso ensinar crianças que não se pode jogar lixo no chão. Isso não é educação ambiental. É simplesmente educação. E elas não têm.



A maioria, apesar de já estar com 6 ou 7 anos, não aprendeu sobre respeito, sobre generosidade, sobre limites. A maioria não sabe nada. e tem que saber. O filósofo Cortella, sintetizou em uma frase o que precisamos para salvar o mundo de fato "Todo mundo pensando em deixar um planeta melhor para os filhos, quando começarão a pensar em deixar filhos melhores para o mundo?".

Pitágoras há muito tempo também registrou "Educai as crianças e não precisará castigar os homens".

Quando educamos verdadeiramente uma criança, ensinamo-lhes o amor ao próximo, o respeito à vida, o senso de compromisso, o dever e também os direitos. Nossa obrigação é ensiná-las que não são o centro do mundo, que o coletivo deve prevalecer sobre nossos interesses particulares, que há limites.

Dessa forma evitamos que se tornem psicopatas do tipo que desvia verba de merenda escolar para acumular mais e mais dinheiro, gasto com futilidades de todos os tipos. Evitamos que roubem, espanquem e assassinem pessoas por que ouviram um não, ou simplesmente porque estas pessoas portam coisas que eles querem ter, ou ainda porque sentem prazer em praticar o mal. Evitamos que criaturas que poderiam salvar o mundo mesmo, com atitudes isoladas e pessoais, mas que pela falta de pai e mãe, de valores éticos e morais perpetuam no mundo dor e sofrimento, sem se importar com as consequências.

Vamos ensinar as crianças que ser é melhor que ter. Que enxergar é melhor que ignorar. E que tomando partido mudamos o mundo de verdade.

Vamos ensinar as nossas crianças e as dos outros também. Vamos dar oportunidades, cobrar o governo, cobrar as outras mães. Denunciar negligências e maus tratos de todos os tipos. Vamos cuidar dessas crianças, enquanto são pequenas e precisam de bons exemplos...porque quando percorremos o caminho errado...é muito mais difícil voltar.

Bem vindo a Praia Grande!

12 de maio de 2010
Acho que a maioria de vocês não sabe, mas moro na Praia Grande, litoral sul de São Paulo. Para quem não é do estado talvez essa praia possa ser até desconhecida, mas para quem mora por aqui, acho improvável nunca ter ouvido falar da minha ilustre cidade.

A Praia Grande se localiza a 92 km da grande São Paulo, o que a torna, sem nenhuma dúvida, a praia de mais fácil acesso a paulistanos de todos os lugares. Em épocas de temporada o número de habitantes que é de aproximadamente 250 mil, chega a 1 e até 2 milhões de pessoas. Todas dividindo o mesmo espaço,  uma orla que conta com 26 km ininterruptos.

A Praia Grande é conhecida por ser o antro dos farofeiros, de funkeiros burgueses que com seus carros equipados obrigam o restante da cidade a ouvir com eles suas músicas de gosto duvidoso, é conhecida também por transformar sua praia num comércio tipicamente a la 25 de março, oferecendo junto com os ítens de varejo comidas de todos os tipos...que geram reíduos, também de todos os tipos, que se acumulam pela praia durante  e depois que a população deixa a areia e o mar...A Praia Grande também é conhecida por ser povoada por aposentados que defendem a limpeza das calçadas feitas por mangueira, deixam a frente de suas casas brilhando, mas jogam seus restos de mato, poda e lixo no terreno baldio mais próximo.

E eu vivo aqui! Remando contra uma maré incansável, alternando entre  privilégio de ter uma praia, tantas vezes vazia e só minha e a revolta com o descaso e todo o lixo que a população local e turística resolve descartar por aqui...

Levo meus filhos a escola todos os dias de bicicleta e é inevitável que eu faça o caminho de volta passeando pela orla. E o que deveria ser um passeio de agradecimento a Iemanjá e um momento de paz no meu coração, normalmente se transforma num momento de desespero, tristeza e revolta...

Na semana passada, estava com meu celular e pude registrar algumas das situações que me fazem rebelar...Fiz algumas fotos (bastante toscas, já que tosco também é meu celular), mas através dessas fotografias posso relatar o que acontece por aqui, inclusive, quando não é temporada. O que me faz absolver os turistas, tão culpados, apenas em férias e feriados e constatar que o problema também é gerado pelo cidadão que paga impostos e reside aqui, mas que nem assim tem educação e respeito pelo lugar em que vive e pela praia que parece ususfruir de maneira tão vil e irresponsável.

E com todas essas constatações, algumas perguntas atormentam minha cabeça sem que eu chegue a alguma resposta.

O que leva uma pessoa a deixar esse rastro de sujeira por onde passa, sem se importar?
O que leva uma pessoa a achar que praia é um lugar onde se deve estender o consumo, seja ele qual for?

O que leva uma pessoa a não se divertir sem ter do lado o franguinho e a farofa?
O que leva uma mãe a trocar seu filho e largar na praia a fralda suja?

O que explica o fato de fumantes abarrotarem as praias como se elas fossem o cinzeiro mais acolhedor do planeta?
O que faz um envelope de tempero e um frasco de desodorante depositados na areia?

O que faz as pessoas não só consumirem tudo o que tiver ao seu alcance, mas principalmente espalharem os resíduos de seu consumo por todo o planeta?
O que faz o ser-humano ser tão cego, egoísta e despreocupado?
O que faz com que o ser-humano só se importe com o que está debaixo do seu nariz, esquecendo de todo o resto que ele não vê, não conhece e não se interessa em descobrir?

No dia das fotos...flagrei uma cena inesquecivelmente triste, que infelizmente o celular registrou, mas não revela com os detalhes que merecem essa explicação. Apesar da cidade ser urbanizada e ter perdido todo o perfil de uma bonita praia preservada, apesar de haverem poucos peixes, apesar de não se encontrar tartarugas por aqui...as gaivotas ainda são presenças permanentes e considero que isto seja um milagre!

Um milagre que o plástico consegue transformar em pecado...A cena que vi foi a de duas gaivotas lutando por um pedaço de plástico, numa disputa em que, definitivamente, eu não entendo qual o prêmio do vencedor. Falamos tanto do lixo plástico do Pacífico Sul e penso que em breve o Atlântico também poderá oferecer esse presente...

Culpa nossa...culpa de todo mundo que têm preguiça e não têm educação. Culpa daqueles que cuidam de suas casas e enchem de merda o resto do mundo. Culpa de quem se cala, culpa de quem não pensa...culpa de todos nós...

E eu pago por isso, meus filhos e outros filhos e netos também...Mas o preço mais alto quem paga são os animais, que não vivem para consumir, que não optaram por essa vida, mas que estão sentenciados a viver de nossos restos e da nossa solidariedade ou ingratidão. E ísso que eu não aguento mais.

No dia em que fiz as fotos, fui juntando o lixo que as gaivotas disputavam e colocando tudo nas lixeiras, logo ali do lado no calçadão, numa tenativa de faze-las párar de comer aquilo, ignorando o fato de que mais 26 km também precisariam deste meu trabalho...Recolhi o que pude...o que estava próximo de mim e vi quando um homem me fotografou...elogiou o que eu estava fazendo, criticou a conduta alheia, ouviu meu desabafo e saiu...lançando a bituca de cigarro que fumava no meio do calçadão...

E eu me sinto assim, sozinha, num mundo que não combina comigo, dando murros em ponta de faca...Mas água mole pedra dura...tanto bate até que fura. Eu não vou desistir...e vou sim, recolher o saco plástico que você deixou, bem na sua frente...para que todo mundo saiba: que eu ainda me importo: com as praias, com os animais...e com todo o restante do planeta que não pode escrever contando a sua indignação!


P.S.: Vale lembrar que durante a temporada trabalhadores da prefeitura atuam na limpeza da praia dia e noite, mas quando as férias se acabam a prefeitura não têm o mesmo empenho. Apenas entre os dias 24 e 27 de dezembro deste ano foram recolhidos da orla e vias públicas 392 toneladas de lixo. A cidade não tem aterro sanitário e o lixão foi desativado. Todo o lixo recolhido aqui vai para Mauá. A Prefeitura já chegou a utilizar área de mangue para depositar o lixo. Em 2001 os resíduos da dragagem foram depositados na baia do Forte Itaipú. Bem-vindos a Praia Grande, onde o show do verão é você!
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