Todas nós passamos por isso. Logo nos primeiros anos escolares somos obrigadas a engolir a história de nosso descobrimento (Como assim descobrimento, se os índios já estavam aqui?). A escola não nos ensina como viviam os índios, como era sua relação harmoniosa com o meio ambiente e como sabiam o que da natureza extrair sem destruir todo o ecossistema. Aprendemos apenas que chegaram aqui os portugueses, se fizeram donos da terra, patrocinaram um regime que subjuga seres-humanos em nome do dinheiro (escravidão) e ainda catequisaram os índios (Hã? E ainda aprendemos que isso era para o bem deles). Enfim, nossa história já começa errada e continua neste caminho até hoje.
Índios deslocados, quase extintos e os portugueses começaram a gafanhotar o pau brasil -a grande maioria dos brasileiros nunca nem viu um exemplar desta árvore que nomeia nosso país. E esse é o nosso começo! Um país gigante pela própria natureza, que exatamente por isso, foi vítima de estupros ambientais constantes e avassaladores em nome do progresso.
Foi assim com os portugueses, continuou assim na ditadura, quando os militares convidaram criadores de gado para explorar a Amazônia (tanta árvore para nada, resolveram desmatar tudo para criar gado, acreditando que aquilo era evolução).
Apesar do Brasil vir diminuindo seus índices de desmatamento, bastante timidamente, ainda somos os líderes neste quesito. Ninguém desmata mais do que o Brasil...e certamente poucos criminosos estão agora encarcerados, pagando por seus delitos. Porque o país não condena nem ricos, nem considera muito graves os crimes ambientais.
A pecuária, o cultivo da soja e a indústria madereira são as grandes responsáveis pelo desmatamento exacerbado. Todas as outras formas de cultivo sustentável e a agroecologia não são tão rentáveis quanto essas atividades, que exigem pouco trabalho e geram muito dinheiro.
Querem nos convencer que para que a comida chegue em nossos pratos, precisamos sim desmatar mais e mais...Mas isto é mentira! Mentira de quem quer continuar lucrando muito sem ter trabalho.
Quanto deste alimento se perde e é jogado fora sem alimentar ninguém? Há que se combater o desperdício. É necessário investir numa logística eficiente, transporte e distribuição rápidos. E aos consumidores cabe fazaer sua parte, comprar somente o que será consumido. (estima-se que no Brasil cerca de 17 mil toneladas de alimentos vão para o lixo diariamente).
Enfim...aprendemos bem cedo todas as formas de nos sustentar e garantir nossa vida apoiados por um sistema que aniquila a natureza...E a maioria das pessoas acha justo! Sem se importar com todos os animais que vêm sendo dizimados, nem com as árvores que são destruídas todos os dias...
E as árvores são o foco desta longa postagem. Costumo dizer que para mim dói tanto ver uma árvore sendo serrada, uma reserva consumida pelo fogo quanto um animal sendo torturado. Para mim funciona assim: a vida em primeiro lugar! E eu também defendo as criancinhas...e para que elas continuem vivendo por aqui são necessárias muitas e muitas árvores, porque planejo que meus filhos no futuro respirem oxigênio e não gás carbônico.
Claro que defendo as árvores porque com a sua existência, elas nos garantem a sobrevivência, mas defendo principalmente porque, preservação - para mim- sempre esteve ligada ao mal que não podemos fazer. Na base do viva e deixe viver. Com base no respeito que devemos ter com todas as outras espécies vivas, também habitantes deste planeta.
Cerca de 472 espécies de árvores brasileiras estão em extinção, entre elas:
Pau Brasil
Hoje é proibido cortar essa árvore ilegalmente. Mas estamos no Brasil e o que é ilegal gera renda e ofício para muitos marginais ricos.
Castanheira
A mais famosa árvore nativa da Amazônia. De grande porte chega a medir 60 metros de altura. Mesmo seu fruto sendo fonte de extração, sevindo de alimento para populações indígenas e animais, essa árvore vem sendo ilegalmente explorada há muitos anos, o que também a coloca no grupo de espécies ameaçadas.
Pinheiro do Paraná
É a única espécie do gênero Araucaria encontrada no Brasil. Encontrada principalmente no sul do país ela é muito importante para o ecossitema porque seus pinhões servem de alimento para pequenos animais no inverno, quando quase não existem frutos e néctars. Seus cones são como uma manjedoura, protegem as plantas menores e retêm a umidade. Mas mesmo assim, ela também está em extinção.
Imbuia
Da região do Paraná, é uma árvore grandiosa, cresce vagarosamente. Em Curitiba há um exemplar de cerca de mil anos. Essa belíssima árvore está em extinção, simplesmente porque o homem senteniou que móveis fabricados com a sua madeira, valem mais que sua vida!
Entre as espécies ameaçadas está também a Palmeira Juçara, nativa da Mata Atântica que vêm sendo dizimada para extração de palmito ilegal. Para se extrair o palmito, desta espécie, é necessário sacrificar a árvore, que demora de 8 a 12 anos para gerar o fruto.
Juçara
Em contra partida as palmeira de açai e pupunha, nativas da Amazônia, mesmo com a extração do palmito se matém vivas. A grande diferença consiste na forma como crescem os palmitos. Na espécie juçara o palmito se concentra no tronco, por isso a necessidade de sacrificar a a árvore, enquanto que nas espécies amazônicas o palmito se forma em touceiros, permitindo a extração sem matar a árvore. Além disso a extração do pamito, na espécie pupunha pode ser feito dentro de 18 meses.
Açaizeiro
Tem papel fundamental na econômia brasileira, por causa do seu fruto: o açai.
(Aliás, foi comprovado que o açai tem mais proteínas que o ovo e o leite)
Portanto na hora de comprar palmito lembre-se que quando escolher o juçara estará sendo cúmplice do desmatamento de uma árvore em extinção, enquanto que se optar pelo de açai ou pupunha estará mantendo árvores de pé e fonte de renda para comunidades na Amazônia, que podem sim, viver da floresta em pé, sem precisar compactuar com madereiros e pecuaristas para sobreviverem.
Vale lembrar também que uma palmeira juçara em pé serve para alimentar animais como tucanos, sabiás, gambas, tatus e esquilos que precisam de suas sementes e frutos para sobreviver.
Ultrapassando as razões lógicas e científicas, a escritora Dorothy Maclean defende as árvores (centenárias) como as grandes purificadoras de energias negativas no mundo. Para ela são estas grandiosas árvores que fazem a manutenção energética no planeta (quase que como a história de Pandora, em Avatar).
Pode ser que para a ciência isto não seja nem comprovado, nem interessante, mas para mim é uma verdade clara e quase óbvia. O mundo é energia. Percebemos isto, facilmente quando nos sentimos mal em ambientes como hospitais ou necrotérios, assim como nos sentimos extremamente bem em bosques, parques ou florestas. A energia da vida sobrepõe-se ao mal. Assim como sempre preferimos estar ao lado de pessoas que emanam boas vibrações e nos afastar de criaturas que vivem negativamente.
Para Dorothy Maclean não basta replantar árvores, mas sim preservar as representantes centenárias. Porque dependemos delas não somente para respirar, mas também para tornar este planeta mais equilibrado e menos nefasto.
Para quem quiser se aprofundar nesta linha de pensamento Dorothy Maclean escreveu um livro, entitulado O Chamada das Árvores e para quem não acredita nisso, ainda assim fica o meu apelo: O dia da árvore passou, sem termos muito o que comemorar...meu pedido é claro: deixem-nas de pé!
Há inúmeras formas de conserva-las vivas, preservando todo o ecossitema que depende delas (incluindo nossa irresponsável espécie) e ainda assim ganhar dinheiro.
A economia não pode párar. Eu concordo! Mas esta forma predatória de consumo que gera renda e morte já não deveria perpetuar em pleno ano de 2010.
E para quem se animou com esta postagem: mãos a obra! Que tal ser responsável por contribuir com uma vida! Seus filhos também vão precisar delas!